Disfarcei, entrei numa lojinha de comida e sai. E fui até ele com a cara mais lavada do mundo. "Hi... I didn't see you..." Apesar da vergonha de nao o ter reconhecido sem a fantasia de monstro, estava numa felicidade so! O cara lindo estava mesmo esperando por mim! O monstro ingles mais lindo que eu ja tinha visto era agora o cara mais lindo do universo!
Fomos andando ate Hoxton e entramos no primeiro pub, o Zigfrid. Ele estava meio mancando porque machucou a perna jogando futebol.
"What would you like to drink?" ele perguntou me olhando de perto com um sorriso absurdamente encantador e aquele olho azul Piccadily Line (como bem definiu o Dani!) que eu nao consegui raciocinar.
"Beer!"
"Can I have a Stella please?"
De pe a gente bebia e ria. Tentava engatar uma conversa que nao ia...
Ele falou em Corinthians e tal. Ai mandei: "which time do you support?"
"Arsenal."
"Sorry?"
"ARSENAL!"
"SOOORRY"?
Ele pegou meu celular e escreveu: A-R-S-E-N-A-L.
"Ahhhh...... Arsenal."
"That's what I said!"
Depois entramos em outro pub, ali do lado. Mais cerveja. Dessa vez acho que argentina. Bebemos. Depois entramos em outro pub, ali do lado. Mais cerveja. Japonesa, acho.
A mesma coisa aconteceu quando ele falou do Robin Wood.
"Sooorry??"
"ROBIN WOOD!"
"Ahhh, Robin Wood!"
"Yes. That's exactly what I said!"
Depois entramos em outro pub, uns dois quarteiroes dali. Mais cerveja. Nao lembro qual. Ficamos no "downstairs" do pub, sentados num sofa vendo a galera se acabar na pista de danca. Subimos e sentamos num sofa numa parte mais calma. Bebendo e olhando o movimento. Ele foi ao banheiro e voltou com um "lolipop" pra mim. So cute! Olhando o movimento e bebendo. Perto de meia noite falei, nao sei como nem em que lingua, que a estacao ia fechar e tinhamos que ir embora. Agora! Eu ja estava no limite de tao cansada de tentar entender e falar ingles. Saimos e quando chegamos a estacao ja tinha fechado. Com preguica de resolver em ingles o que fazer, de perguntar como ele iria embora, decidi ir andando no sentido de casa. Ele nao disse nada e simplesmente foi me acompanhando. O caminho inteiro ele falava no celular com um amigo. E aquela altura tudo que eu entendi era "taxi is expensive", "but taxi is expensive". Quando chegou na porta do predio eu disse educadamente: "I live here." Ele perguntou se podia subir pra ir ao banheiro.
"Sure!"
Subimos, e ele demorou horas dentro do banheiro falando com um amigo no celular. E ai por mais que eu grudasse a orelha na porta nao conseguia decifrar uma palavra sequer.
Voltou pra sala e disse, categorico:
“Can I sleep in the sofa?”
!!!!!
Tentei desfazer rapido minha cara de espanto e respondi que sim, of course!
Procurando o que fazer para ocupar aquele tempinho entre o chegar e o ir dormir, resolvi pedir pra ele instalar o Limewire no meu Mac novinho. Ele trabalha com alguma coisa de computador + musica. Nao tinha entendido bem no que.
Ele instalou. Uma hora deu algum pau por causa de um comando errado e ele soltou: “sorry, was my fault.”
Fofo!
Lindo!
Educado!
Lindo!
Clicou sem querer em Sonifera Ilha, abriu um sorriso que brilhava e disse que tinha adorado aquela musica! Eu ja sabia que ele adorava Artic Monkeys.
Depois sugeri de assistirmos ao filme nacional que eu tinha comentado no pub. Ele topou na boa. Mesmo sabendo que era em portugues, sem legenda. Tropa de Elite. Dez minutos depois estava com a maior cara de sono. Na hora perguntei educadamente se ele queria dormir. Ele disse que sim. Peguei o edredon do Fernando que estava em Paris e quando voltei pra sala ele ja estava deitado no sofa. Ajeitei o edredon por cima dele , dei um beijo no seu rosto e desejei com um sorriso: “have a nice trip!”, no que ele respondeu, fofo, “nice woman!”.
Ainda bebada, entrei no meu quarto e liguei pra Aglae pra avisar que ela nao se assustasse quando chegasse em casa porque tinha um cara dormindo na sala. Quando ela chegou eu, ainda bebada e com medo do cara, pedi pra ele ir ate a sala tirar meu Mac novinho de la. Sei la, a gente nunca sabe...
Dormimos.
Na manha seguinte, a sala vazia. Nao vi mais o cara mais lindo e fofo do mundo.
Nunca mais.
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